Terror

O governo anda a brincar com a «bifurcação» na sua narrativa – uma das ferramentas primeiras para construir o suspense – e o TERROR.
Para Hitchcock – NA TELA «o terror é induzido pela surpresa; o suspense pela antevisão e expectativa».
Diz-se que o suspense corresponde a um sentimento (incerteza) ou uma emoção (ansiedade) relativamente ao resultado de algumas acções – dramáticas ou não. O efeito (a sensação resultante, secundária) tem sido definido pela causa (o jogo com o tempo, com as expectativas, primeiras e primárias). Assim, o suspense resulta da manipulação da ordem e tempo das sequências narrativas.
Diz Hitchcock: «uma comédia leve, representada devagar, pode produzir a sensação de perigo iminente, da mesma maneira que um drama representado demasiado depressa pode nunca dar uma atmosfera de tragédia.» O suspense é alcançado pela ordem escolhida para apresentar as acções (montagem) ou pela demora na resolução de um problema – a lentidão com que um problema é apresentado (por exemplo, um rol de impostos ENORMEs).
Assim o suspense é o que experimenta um espectador informado, perante os perigos que ameaçam os actores na tela. O terror é o que experimentam os actores DENTRO do filme. Nós estamos dentro do filme, e não poderemos experimentar nem a catarse nem a purga aristotélicas.
A sucessão e continuidade com que o governo nos bombardeia com informações tenebrosas, mas sempre duvidosas ou incorrectas; os avanços e recuos em processos que já destruíram a vida a muitas pessoas e colocam sob ameaça todos os restantes, o país e a nação; as afirmações de Durrão Barroso sobre a (ir)responsabilidade europeia, leva a que estes comportamentos se definam como TERRORISMO político premeditado. O terrorismo pode aparecer sob a forma «política ou moral», e define-se «como o uso sistemático de violência, aleatoriamente focado por grupos organizados contra alvos civis para alcançar um objectivo político». Se é esta de facto a intenção deste governo, qual é o seu objectivo?

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