Do Terreiro do Paço à Islândia

Terreiro do Paço - 29 de Setembro de 2012

Tem dado para perceber que a maioria da oposição está um bocado eufórica com o sucesso no Terreiro do Paço de sábado passado (uma cerejinha para a CGTP). Agora a manif de 15 de Setembro  já não é tão «inorgânica», nem a de dia 21 deficitária em democracia. Estão a ficar descansados porque as coisas parece estarem a encaixar nos eixos. E a afiar o dente: para uma moção de censura, umas hipotéticas eleiçõezinhas… Da parte do governo é o silêncio, ou rápidas intervenções igualmente fatais dos famigerados Relvas & Borges, dando o seu significado mais puro à palavra «arrogância».
MAS – esta situação é muitíssimo diferente de qualquer outra que até agora tenhamos vivido. E embora alguns dos sinais sejam os mesmos – ou muito parecidos – a realidade é profundamente OUTRA. Temos a TROIKA, um orçamento e uma «tranche» a caminho (pensa-se), e uma colecção de ministros que achávamos geniais e descobrimos serem no mínimo incompetentes. As pessoas sabem muito bem o que é mais conveniente para todos, e para o País. Não querem este governo, mas também não querem perder tempo com eleições, nem querem governos de salvação nacional, nem voltar a ditaduras.
Não foram os portugueses que falharam aos governantes – mesmo às cegas, mesmo com uma fasquia altíssima. Foi o Governo (e aqui incluo a A.R. em peso) que falhou: porque enganou com as falsas medidas do seu programa eleitoral; porque não trabalhou o que devia ou geriu mal o tempo e as tarefas; porque se enganou nas previsões económicas e financeiras para este ano (não acertou UMA). Decerto anda tudo muito desconfiados com as do próximo.
Por tudo isto – se eu cá fosse Passos Coelho e Paulo Portas – despachava-me a aproveitar esta janelinha de oportunidade e reformular o governo já esta semana, com um elenco inatacável, que fizesse ele o próximo O.E., sólido e realista.

Mais do que a Grécia, há o «péssimo» exemplo da Islândia:

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