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Walter Benjamin vate da modernidade

Walter Benjamin (1892-1940)

Uma das primeiras obras de Walter Benjamin a aparecer em português (de Portugal) foi “Histórias e Contos” na Teorema, 1992, com tradução de Telma Costa (por aqui). É uma colectânea de 14 ficções breves, mais insólitas do que fantásticas, onde se aborda tudo, desde questões filosóficas à descrição de “gaffes” ou outras situações aparentemente anódinas. Marcadas por um certo espírito de época, evidenciam a nostalgia dos círculos de conversa (nos cafés e clubes) ou dos grupos que, encerrados num espaço restrito (ilha ou barco) partilham experiências raras – como tradicionalmente em Boccaccio e Chaucer. Os temas recordam Chesterton ou Stephan Zweig, enquanto as personagens evocam Conrad, e principalmente Thomas de Quincey – vai posteriormente escrever as suas auto-biográficas “Sobre o Haxixe e Outras Drogas”. Destacam-se pela acção lenta, um pretexto para considerações sobre o desaparecimento de uma arte de contar histórias que conduz a uma sabedoria, tal como a sabedoria muitas vezes nos chega sob a forma de contos e narrativas.
Benjamin ficou famoso, entretanto, pelos seus ensaios teóricos sobre tudo, mas em particular o estudo sobre a tragicomédia do Barroco – “Origem do Drama Trágico Alemão” – a sua tese de agregação, chumbada pela Academia (que se recusou emendar e o lançou no desemprego), sempre e cada vez mais indispensável.
As Obras Escolhidas – com prefácios, apresentação e traduções de João Barrento – aparecem na Assírio & Alvim – 10 em livro, 7 em e-book. O seu último trabalho, incompleto e póstumo – The arcades project – “As Arcadas de Paris” é sobre Galerias, e procura dar o seu testemunho, pela negativa, da implementação em larga escala, da produção e distribuição em massa em todos os aspectos da sociedade, em particular da reprodução distanciada das obras de arte.
Judeu, Benjamin suicida-se a 26 de Setembro de 1940, na Catalunha, a caminho de Portugal.
Walter Benjamin, também o primeiro a preocupar-se e considerar a tradução como uma arte, lê-se bem em qualquer língua.

Helena Barbas

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