Andava aqui com um neologismo a palpitar no cérebro réptil. E um post do Abrupto ajudou-me a organizar os memes. Assim, acho que a palavra cabotinagem cobre melhor as metodologias e processos dos últimos desaires (des)governamentais. Descobri que o termo não é novo – corresponde a um número de circo, ou a um desafio de improvisação teatral, levada a cabo por dois ou mais actores que procuram chamar sobre si a atenção do público. Até serve. Mas a cabotinagem em que estava a pensar seria uma fusão de cabotagem – a navegação entre portos marítimos de um mesmo país, sem perder a costa de vista (herdada do veneziano do Séc. XV, J. Cabot) e cabotino– os tais actores ambulantes.
Como também não quero parecer ingrata, posso pormenorizar relativamente ao que já deixei aí para baixo: agora que o povo – em particular as mulheres – começou a ir para a rua, não vai parar nem dar descanso aos governantes; a confiança perdida não vai ser recuperada, pelo que senhores políticos é melhor pensarem que vão ter que trabalhar a sério, e explicar tudo muito bem explicadinho, com muuuuita paciência.
Nos anos 70 (1970) havia um programa chamado Monty Python Flying Circus – o episódio 14 – Dinsdale, protagonizado por John Cleese, inspirou muitos grafismos como o acima. O tradutor brasileiro chamou-lhe «Ministério das Caminhadas Bôbas» – é difícil encontrar uma alternativa, mas como por cá temos os «Passos Perdidos» talvez «Ministério dos Passos Idiotas».