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alquimia e os mundos

Viajante que atingiu a borda do mundo, “Gravura Flammarion” no livro L’Atmosphère: Météorologie Populaire (1888).

Uma pergunta que continua sem respostas – a Alquimia é um charlatanismo ou uma forma do saber?­ Uma via mística ou uma técnica? Seja encarada como impostura, ou como linguagem perdida, o certo é que o seu fascínio se tem mantido, inabalável, através dos séculos, e ­tem operado junto dos nomes mais sonantes da “ciência”.­ Recorde-se os cadernos alquímicos (a colecção Portsmouth) de um Newton, ou mais recentemente Carl Gustav Jung,­ para não mencionar outras piscadelas de olho mais ­envergonhadas.

«Alquimia - Significado e Imagem do Mundo», Titus Burckhardt, Trad. de Emanuel Lourenço Godinho, Dom Quixote, Lisboa, 1991, 224 pp.

«Alquimia – Significado e Imagem do Mundo» do suíço  Titus Burckhardt, traduzido para português em 1991 por Emanuel Lourenço Godinho (Dom Quixote, Lisboa, 224 págs.) continua fundamental. Questiona-se a velha Arte, e delimita-se o seu campo, por oposição a zonas paralelas em que têm tentado incluí-la. Assim, é afastada a hipótese de ser uma pré-Química, porque os seus interesses não se reduzem ao material, do mesmo modo que se distancia da Mística, porque não vira as costas ao mundo.
Burckhardt procura salientar a duplicidade das suas componentes – uma prática que a transforma numa técnica; e outra de carácter mais teórico, espiritual – num esforço de recondução da Alquimia ao seu espaço originário, de ­Arte-Ciência. Curiosamente, demarca-se de modo claro do seu aproveitamento mais recente, levado a cabo por Jung e a sua escola, que a reabilitaram através da psicologia das profundidades e da interpretação simbólica: “Um dos maiores perigos da moderna «psicologia da profundidade» reside no facto de proceder a uma mescla indiscriminada de verdadeiros símbolos com toda a sua gama de múltiplas deformações. Assim acontece, por exemplo, quando põe ao mesmo nível as “mandalas» orientais e as garatujas concêntricas dos doentes mentais. Um verdadeiro símbolo nunca é «irracional», pois não deve confundir-se o «supra-racional» com o “irracional». (p.101).
Numa lógica moderna e cerrada, Burckhardt actualiza o discurso dos antigos mestres, na explicação do inexplicável. Importante ainda, em apêndice, a “Tábua Esmeraldina” numa tradução comparada das versões latina e árabe.

Helena Barbas
[actualização de um artigo publicado no Vida de 17.05.1991, Independente nº. 157]

 

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