Juan_Valdes_Leal_1657

Parábola do Ancião e do Jovem

Então Abraão levantou-se e cortou a lenha, e partiu
E levou consigo o fogo, e uma faca.
E enquanto jornavam assim os dois juntos
Isaac o primogénito falou e disse, Meu Pai
Vede, temos aqui a lenha, fogo e lâmina
Mas onde está o cordeiro para este holocausto?
Então Abraão amarrou o jovem com correias e cintos,
e ali construiu barricadas e trincheiras,
e ergueu a faca para imolar o seu filho.
Quando, Vejam! Um anjo chamou por ele do Céu,
dizendo, Não ponhas a tua mão sobre o menino,
Nem lhe faças qualquer mal, ao teu filho.
Vede! Preso num espinheiro pelos chifres,
Um Bode. Oferece antes o Bode do Orgulho.

E o ancião não o quis fazer, imolou o filho
E metade das sementes da Europa, uma a uma.

(trad. HB 5.01.2009)

The Parable of the Old Man and the Young, de 1916. Wilfred Owen (1893-1918) é um dos nomes de referência na poesia de/sobre guerra. O poema, publicado postumamente, assume-se também como comentário a um episódio do Génesis (22-1,13), subvertendo a versão oficial. O tema inspira muitos pintores mas torna-se quase obsessivo na obra de Marc Chagall (1888-1985)

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