W. H. Auden, ansiedades

W. H. Auden - Getty Images - Gift of Alfred Eisenstaedt, 1989

 

 

 

 

 

 

‘A Era da Ansiedade – Uma Écloga Barroca’

E Emble pensou:
Altos eram aqueles promontórios; as águias prometiam
Vida sem advogados. A nossa longa excursão
Desviou-se rumo a Norte como gaivotas infatigáveis
Tecendo sobre a água teias de brilho
E sons tristes. O oceano insensível,
Milhas sem mente, lamentava-se entorno aos nossos
Risos escassos, e debaixo das nossas canções
Havia profundidades surdas, vales de desafecto
Os seus gelos imutáveis, apenas dorsos
A baleia é quente, a sua selvajaria assombrada
Pela fauna de metal movida pela razão
Caça não com fome, mas pelo amor ao ódio,
Perseguindo os nossos vapores. Esforçados de tanto fixar
Doíam-nos os olhos, e os ouvidos quando dormíamos
A sustentar o cuidado pelo desastre que tornaria
Os nossos medos em realidade. Na quarta vigília
Um torpedo atingiu o arco da proa:
A explosão matou muitos; o óleo ardente
Sufocou alguns; outros com coletes de salvação
Flutuavam na vertical a congelar até à morte;
Os mais jovens nadavam, mas as ondas complacentes
Recusavam ajuda; não eram sustidos,
Deglutiam e afundavam-se, cessavam pronto
De aparecer em público; arriscando partir-se
Com veredictos de tubarões, vagos inquéritos
De monstros amebóides, sitiados por ligeiros
Hostis peixes, recusavam persistência.
Não são mais agora que nomes atribuídos à
Angústia de outros, áreas de luto.
Muitos pereceram; mais morrerão

trad. de Helena Barbas, de W. H. Auden (1907-1973) in ‘The Age of Anxiety, A Baroque Eclogue’, Random House, New York, 1947, (4ª.) pp. 14-15

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