Querida Troika

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Querida Troika
Resolvi também escrever-vos uma carta para não ficar mal vista. Já andam por aí há quase dois anos e continuam tão amarelinhos! Se encontrassem alguma na Baixa, aconselhava-vos que na próxima fossem morfar as vossas sandes para uma esplanada – cá a malta já seguiu o bom exemplo e vai (bronzeadíssima, é certo) de marmita pró trabalho. Os que têm a imensa sorte de ainda ter emprego, porque os outros já andam a trabalhar pró bronze a tempo inteiro.

Também vos queria agradecer as transformações sociais. Fui ontem à noite passear – não pela Quinta-Avenida – mas pela Décima-Avenida-Mais-Cara-do-Mundo (cá a gente não brinca em serviço) e fiquei muito contente porque algumas das arcadas são multi-funções e, as escadas que de dia dão acesso à Haute-Couture, de noite são convertidas em T3 para os sem abrigo. Tal e qual havia em Londres, no tempo da Tatcher – estamos mesmo a evoluir graças a Santo Onofre!
Hoje o nosso primeiro ministro veio-nos dar o vosso recado sobre o resto dos cortes que ainda acham que há para fazer. Faz tudo sentido. Como são muitos os desempregados (de que nem falou), e muitos os funcionários públicos a mais, obrigam-se os segundos a trabalhar mais horas – para acabar com os primeiros? Até fui buscar o ábaco. Também achei bem que se cortasse ao calhas, assim uns trinta mil, mesmo que os serviços que têm falta de gente ainda fiquem com menos – porque os que trabalham também têm que ser castigados não vão os sornas ficar mal vistos.
Já agora, parece que anda tudo outra vez à procura do consenso. Juro que já vasculhei os armários todos cá de casa e não apareceu. Quando o encontrar mando.
Por tudo isto, não estranhem que vos deseje boa viagem – só de ida. Podem aproveitar e levar convosco o governo todo, assim numa mobilidade europeia. É que eles já se esqueceram, mas também são funcionários públicos, e até não trabalham lá grande coisa. Cada vez que fazem uma directa…, pelo que assim a gente aproveitava para poupar uns trocos – nos ordenados deles, nas despesas de representação, nas viagens e nas contas erradas. É certo que iam aumentar a emigração dos quadros – mas a gente fica à espera deles prá reforma, quando vierem gastar cá no ALL-garve as pensõesitas a que já têm direito (mesmo com cortes).  

Desta sempre vossa
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