O meu 5 de Outubro de 2012

Bandeira de D. Afonso HenriquesDe acordo com os anais, o Reino de Portugal foi fundado a 5 de Outubro de 1143, quando D. Afonso Henriques – com seu primo Afonso VII de Leão e Castela, assinaram o Tratado de Zamora, dando origem ao INDEPENDENTE  (segundo) Condado Portucalense, iniciando a dinastia afonsina. Os muçulmanos, em sinal de respeito, chamavam-lhe Ibn-Arrik («filho de Henrique») ou El-Bortukali («o Português»). Tinha por armas a bandeira branca com as cinco quinas a azul.

 Quando em 1910 os Republicanos instauram a República, as escaramuças começam no início do mês, mas escolhem o 5 de Outubro para hastear a bandeira na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa – seja por destino, seja pelo peso simbólico.

Os eventos de ontem deixaram-me num dilema. Não lhes quero dar existência. Não quero acreditar que Republicanos em quem votei estão a querer dar cabo da República. Não quero acreditar no lapsus freudiano de exibir a traição à República. Não quero acreditar que houve uma premeditada tentativa de destruição do símbolo nacional – deste.

Proclamação da República Portuguesa

Consola-me que, qualquer que seja a opção, foi um acto falhado. A República só tem 100 anos, mas Portugal é muito antigo e nós temos muitos símbolos nacionais. Em qualquer dos casos, um acto deste tipo leva-nos a recuar e ir buscar os outros anteriores, cada vez mais para traz – medievais até se for preciso. E eu cá até nem sou monárquica.

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