Leight Stein

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Imortalidade

No ginásio disseram-me que não iria morrer,
Só iria ficar mais sensual, e acreditei neles.

Passei as noites a pensar se isto iria tornar-se
em algo a longo prazo, se era o que se entende por casual,

ou se isto era apenas o meu devastador desapontamento anual
porque se não era, então teria que me defrontar

a mim própria. Tomei os remédios e olhei para as imagens
das pessoas que não estavam apaixonadas por mim. Apaguei

os nomes delas da minha cache, disse olá ao meu gato
pelo telefone, tomei mais remédios. Dias

passaram. Aprendi que é difícil medir o nosso próprio aumento de
sensualidade. Inventariei os transeuntes. Passei por espelhos

e fingi que não eram espelhos, mas limpas
montras, e eu não era eu mesma, era

uma limpa estranha. Nalguns dias tinha a certeza
que ela queria vir comigo para casa, e

tive que a desiludir rapidamente, pela montra,
como um padre. Assim que me soltava

dos pensamentos da minha própria morte ficava livre
para ser amada da maneira que sempre soube que merecia:

reciprocamente, em Fidji, os nossos corpos esbeltos e bronzeados
como deuses, mas ao mesmo tempo sentia-me como um vampiro,

e nenhum dos meus amigos entenderia isso. Tinham inveja
do meu contrato editorial, do tempo que passei no Ashram

enquanto haviam ficado por aqui, a sofrer mais um Inverno,
e a sua falta de sensualidade como um anúncio fluorescente a piscar a noite toda.

[Trad. livre H. Barbas 21 Março 2015]
Leigh Stein, “Immortality” in Dispatch from the Future 2012
http://www.poetryfoundation.org/poem/244496
Homepage – http://leighstein.tumblr.com

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