O termo “Raça Superior” aparece pela primeira vez num poema do americano William J. Grayson [1788-1863] «O Assalariado e o Escravo» (1855). Surge associado às justificações pseudo-científicas para uma escravatura racial, às oposições entre Norte e Sul – antes de se enriquecer com as interferências do Darwinismo social:

Para esses grandes fins o comando do Céu supremo
Retirou o selvagem negro da sua terra natal;
É treinada para cada finalidade a sua mente bárbara,
Domada pela escravidão, iluminada, e refinada.
É ensinado, de uma Raça Superior, a extrair
Os sábios modos de governo e formas da Lei,
Impregna-lhe a alma com fé, o coração com o amor,
Forma-lhe a vida toda com as regras superiores

Na página 19 dá-nos o argumento do poema: «O estado do Assalariado e do Escravo são substancialmente os mesmos – condições de trabalho duras e a subsistência como recompensa. O assalariado nem sempre obtém a recompensa – por causa das suas misérias, fome, vícios, brutalidade, sujeição ao serviço militar, e expulsão deste país. O transporte do negro de África para a América é uma bênção para ele: dá-lhe a instrução nas artes mecânicas, na agricultura; os vários produtos da sua indústria são numerosos e úteis para o mundo inteiro. A sua melhoria não é possível no seu próprio país, portanto é trazido pela Providência até ao nosso. Os Abolicionistas contrariam a Providência;  o seu objectivo é egoísta. O Negro só pode ser melhorado pelos cuidados do Mestre, os Abolicionistas nada fazem por ele; a superioridade do escravo sobre o resto da sua raça, a sua segurança sem necessidades, a sua educação, não são mais defeituosas do que as dos assalariados na Europa, e as suas punições, para ofensas idênticas, são menos severas. A política do Mestre é mais eficiente para preservar a ordem e prevenir os vícios».