Category Archives: música
a Narrativa
Há mais de meio século que ando a queimar pestanas à conta da narrativa. A ler as propriamente ditas e o que sobre elas se vai escrevendo; a fazer-lhes propaganda como crítica, a tentar ensinar a lê-las como professora. E agora, pegou a moda de usar o termo a torto e a direito. Ficou «in», mas está a ser errada e perigosamente banalizado.
No esqueleto, narrativa é a associação de duas frases que, mesmo desarticuladas, constroem uma estória. É uma função vital – o homem não pode não narrar. Antes de entrar no espaço lúdico, permite que consolidemos o nosso «eu», edifiquemos o nosso romance individual. A bibliografia seria longa e fastidiosa, mas posso resumir: uma narrativa NÃO é uma «aldrabice», não é sinónimo de MENTIRA (não me ofendam a Literatura), não substitui a notícia, não pode ser usada para, pela insistência, fabricar um falso sentido de realidade. Fala-se agora em «narrativa» da oposição, mas principalmente da «narrativa» do governo. A última tem a ver com a tentativa de tapar o enoooooorme buraco orçamental, já antigo, com a recente decisão do Tribunal Constitucional; justificar, com motivação mais fresca, uma já antiga política de cortes – sobre os velhos e os doentes.
É pela narrativa que estruturamos o nosso sentido de realidade. O ser humano também não suporta o fragmentário, pelo que quando a estória não coincide com os factos, ou fica esquizofrénico (não consegue decidir-se qual a narrativa a escolher), ou entra em descrença total (passa a acreditar, apenas e só, na sua própria narrativa) – o processo deste último caso é desmontado numa velha história infantil, «Pedro e o Lobo». Prefiro a variante de Disney, com música de Prokofiev (1946) e locução de Eunice Muñoz (2 partes):
Trovas muito antigas
Têm estado a re-passar na RTP 2 os seis episódios de «Trovas Antigas, Saudade Louca», o documentário realizado por Fernando Ávila que instituiu a candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade, da responsabilidade da RTP e a EGEAC/Museu do Fado. Foi gizado por Rui Vieira Nery, com José Pracana, Sara Pereira e Carlos do Carmo que o apresenta. Um mergulho em 100 anos de memórias, enriquecido por filmes, gravações e testemunhos, ancorados numa sólida investigação histórica e cultural. Trata-se de um trabalho notável, cheio de momentos geniais, que seria muito importante divulgar mais lá por fora e tornar acessível cá por dentro – para quando um DVD?
Grândola ministerial
Porque não acho bem que os nossos governantes andem a fazer figuras tristes, e parece que vão surgir basto mais ocasiões em que a necessidade se manifestará, deixo aqui uma versão da Grândola cantada pelo Zeca, com a música certa e a letra à vista. Poderiam fazer um conselho ministerial e treinar assim numa espécie de Karaoke?
Agustín Lara
Farolito
e Noite de Ronda
(hoje deu-me para aqui) – ainda faltaria a Vera Cruz – vá lá:
Um mexicano (1897-1970) de seu nome completo Ángel Agustín María Carlos Fausto Mariano Alfonso del Sagrado Corazón de Jesús Lara y Aguirre del Pino – e que nos faz muita falta
Hino da Restauração
Parece que ainda é cantado pela Sociedade Recreativa 1º de Dezembro, em Elvas, na noite de 30 de Novembro. Como os elvenses que encontrei – por aqui – eram um bocado desafinados, deixo uma versão em Karaoke – vai dedicada ao amigo Paulo Cunha Porto – dos Jovens do Restelo – um abraço !!!
Fado da Mentira
Letra e música de António Menano, na voz de Adriano Correia de Oliveira, com as guitarras de António Portugal e Eduardo Melo, e violas de Durval Moreirinhas e Jorge Moutinho (‘single’ Noite de Coimbra 1960).
Fado da Mentira
Ninguém conhece no rosto
O que a nossa alma inspira.
A vida é gosto e desgosto
Mentira tudo mentira.
Fiz uma cova n’areia
P’ra enterrar minha mágoa.
Entrou por ela o mar todo
Não encheu a cova d’água.
People have the power – Patti Smith
Patricia Lee “Patti” Smith [ 1946], a madrinha do Punk, lançou-se com o album Horses (1975). Em 2009 ainda acredita nas palavras desta sua canção – People have the power (1988) – como diz numa entrevista – versão curta e versão longa.
Os versos andam por aqui com uma tradução brasileira, e transcrevo o refrão e a última estrofe.
The people have the power
The people have the power
The people have the power
The people have the power
The power to dream / to rule
To wrestle the world from fools
It’s decreed the people rule
It’s decreed the people rule
Listen
I believe everything we dream
Can come to pass through our union
We can turn the world around
We can turn the earth’s revolution
We have the power
People have the power …