Category Archives: artes plásticas

Trovas muito antigas

Trovas Antigas Saudade LoucaTêm estado a re-passar na RTP 2 os seis episódios de «Trovas Antigas, Saudade Louca», o documentário realizado por Fernando Ávila que instituiu a candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da Humanidade, da responsabilidade da RTP e a EGEAC/Museu do Fado. Foi gizado por Rui Vieira Nery, com José Pracana, Sara Pereira e Carlos do Carmo que o apresenta. Um mergulho em 100 anos de memórias, enriquecido por filmes, gravações e testemunhos, ancorados numa sólida investigação histórica e cultural. Trata-se de um trabalho notável, cheio de momentos geniais, que seria muito importante divulgar mais lá por fora e tornar acessível cá por dentro – para quando um DVD?

Mães

Migrant Mother - Dorothea Lange 1936

«Mãe Migrante» (1936) – Dorothea Lange (1895-1965)

«Canção da mãe velha»
Levanto-me de madrugada, ajoelho-me e sopro
Até que a semente do fogo cintile e brilhe
E depois tenho que esfregar, cozer e varrer
Até as estrelas piscarem a espreitar;
E as jovens deitadas sonham nas suas camas
Com fitas a condizer nos colos e cabelos,
E passam os dias na ociosidade
E suspiram se o vento lhes desgrenha uma trança:
Enquanto tenho que trabalhar porque sou velha,
E a semente do fogo fica fraca e fria.

William Butler Yeats, The Wind Among the Reeds (1899) [Trad. H. Barbas 2012]

«The Song Of The Old Mother»
I rise in the dawn, and I kneel and blow
Till the seed of the fire flicker and glow;
And then I must scrub and bake and sweep
Till stars are beginning to blink and peep;
And the young lie long and dream in their bed
Of the matching of ribbons for bosom and head,
And their day goes over in idleness,
And they sigh if the wind but lift a tress:
While I must work because I am old,
And the seed of the fire gets feeble and cold.

Santas Páscoas

Por cá é recente (e importada) esta mania de pôr um coelhinho a distribuir ovos de chocolate às criancinhas pela Páscoa. Amêndoas em tamanho grande. Provavelmente tudo vestígios de cultos pagãos – vindos do norte – que rebentam pelos interstícios das opas das severas celebrações mais católicas. Dos ovos da Páscoa só me fazem sentido os do Fabergé – misteriosos luxos oferecidos todos os anos por um Imperador à mulher estrangeira. Fica aqui um exemplar – o de 1892, de Alexandre III para a czarina Maria Fyodnorovna.

Fabergé - Diamond Trellis 1892

Tão pós-modernista

Post-Modernism no Victoria & AlbertPasse  a snobeira, as grandes exposições inglesas que tive oportunidade de ver em recentes tempos foram uma barretaça. Os ingleses habituaram-nos aos grandes painéis históricos e cronológicos, cheios de fidelidade e fidedignidade. Quando se lembram de fazer as coisas à francesa – em abordagens temáticas – a água abunda.

Descobri há pouco uma excepção, em que os dois sistemas misturados dão um resultado exaltante: Post-Modernism – Style and Subversion 1970-1990, que estará disponível até 15 de Janeiro de 2012 no Victoria & Albert. Não é muito grande, nem tem muitas peças, mas a combinatória e o percurso pelos vários espaços conseguem dar uma perspectiva fascinante sobre um movimento que sempre achei que não o era. Parte – e partem – da arquitectura, mostrando as fontes (renascentistas) que são parodiadas por Hans Hollein e Ron Rad, por exemplo. E isto estabelece um eixo que permite entender as restantes paródias e pastiches. Passando – naturalmente – por Andy Wahrol, e dando um peso inesperado a Grace Jones. O catálogo é para venda, mas cedem on-line um documento para professores (teachers resources) que resume bem o que se pode ver.