Para mim depois do fogo (e vá lá, depois da roda) o computador é a maior, mais brilhante e mais simpática invenção humana. Mas está a ser cada vez mais difícil perceber quais os modelos, as marcas e as especificidades melhores para cada uma das práticas em que são usados. Sobre as maquinetas ficará talvez para outro dia.
Hoje resolvi fazer a lista dos programas – agora chamados Apps – que andei a experimentar nas férias. Procurava os que melhor me/nos pudessem ajudar em termos de produtividade na rentrée que se aproxima, a pensar no ensino superior.Apps_vectorO caso é que com tanto ‘multitasking’ torna-se cada vez mais difícil conseguir um calendário/agenda que permita controlar todas as tarefas exigidas todos os dias. Quando a isto se acrescentam os estudos, convém encontrar uma ferramenta que ajude a controlar horários, coordenar as diversas disciplinas, que aceite informações sobre variados cursos, enfim, que permita gerir o melhor possível trabalhos, estudos e apresentações. A diferença entre programas grátis e a pagar está cada vez mais nebulosa. Na maioria, mesmo trazendo a referência FREE, depois de instalado pode exigir que se pague qualquer coisa para que venha a operar na plenitude – para ‘desbloquear funções’ (as ‘in-app-purchases’). Uma outra novidade é que, nas pesquisas, o ‘software’ para ‘download’ quase desapareceu, tendo sido substituído pelo termo ‘Apps’. Além do mais, há a volatilidade dos programas-Apps eles mesmos que vão sendo oferecidos. Os que há um ano ou menos pareceriam interessantes, estão moribundos por falta de procura por parte dos utilizadores.
Outros concentraram-se na especialização para um único sistema operativo, não permitindo que venham a cumprir com as necessidades da mobilidade sempre crescentes: por exemplo, ser usados num computador (Windows/Mac) e num ‘tablet’ ou ‘smartphone’ (Android/iOS) tornando difícil a sincronização de dados entre os diversos aparelhos que cada um possa ou tenha que estar a usar.Site_pointsA coroar estas contendas há a ciber-claustrofobia das opções escolares disponíveis/impostas pelas grandes empresas – seja pela Google seja pela Microsoft por exemplo.
Assim, para quem anda a embirrar com as ofertas, desconfia das boas intenções, ou dos níveis de privacidade, aqui ficam alguns programas/Apps bons bonitos e baratos que andei por aí a experimentar.
Dos mais recentes e mais popularizados multiplataforma alguns não funcionam bem para Portugal. Seja porque não aceitam a inscrição individual – Teachers.io (só para as escolas que já o usam) o que impede a ligação à ‘App’ complementar para alunos MyHomework; ou estão limitados aos Estados/Common-Core americanos; ou são demasiado caros – Teachers.kit ($ 3,99 mês/$ 39,99 ano, sem versão de teste); ou são pobres de  funções – My Study Life.
Uma das primeiras alternativas será optar pelos calendários ‘enriquecidos’, mas é difícil encontrar alguns que possam concorrer com o Outlook, o Calendar ou o da Google, e os poucos que aparecem instalam-se em cima dos ditos. A novidade é que as novidade seguem descaradamente uma estética Apple/Wordpress.

classes-liteClassesLite (mais abaixo)

Há o Informant, da Fanatic Software (Texas, USA), bastante elaborado que sincroniza automaticamente com os calendários da Apple (iPad) – também com Android e Outlook. A aparência copia o formato de instruções do iPad. A versão grátis funciona com anúncios, se desbloqueada (€ 4,90) acrescenta meteorologia, formatação de eventos e modelos, impressão, partilha e mudança de cores. Há uns que instalam bem no iPad como extensões – o Fantastic 2  com 21 dias de teste (depois €39,9). Mas a seguir o sistema operativo da Mac/iCloud não deixa fazer a sincronização (o que fôr acrescentado não aparece no calendário principal). Ainda, quando se desinstalam por vezes apagam a informação anterior. Isto contribui para aumentar o grande ‘boom’ dos calendários e planificadores com suporte ‘on-line’, que permitem sincronização entre todos os aparelhos e sistemas.
O Calendário de Estudo da Exam.time oferece-se com todas as funções imagináveis (até datas dos exames nacionais). Afirma-se pessoal/não institucional para partilhar informações exclusivamente com alunos. Mas obriga a entrar pela plataforma GoConquer (Irlandesa) e graficamente simula a disposição do Facebook. É multiplataforma e multilingue – app aquiTem as opções ‘basic’ grátis (3 temas e 20 documentos), ‘basic plus’ que se alcança convidando três amigos e dá direito a número ilimitado de aulas/materiais; a versão ‘premium’ (€12,99 ano) permite tornar os materiais privados e sem anúncios. Para arquivar a informação é preciso fazer ‘upgrade’, e esconde uma série de selecções prévias automáticas – uma delas a de se ser ‘descoberto’ pelo Facebook.
Há plataformas muito aceitáveis grátis ou que deixam experimentar antes de comprar. As palavras-chave aqui são ‘cloud’ e ‘colaboração’.Cloud-Computing

Nelas tornamos disponíveis as nossas aulas e trabalhos e temos acesso a idênticos materiais feitos por outros professores. Mas as letras pequeninas não explicam quem mais vai poder usar toda esta informação, nem o que pretenderá fazer com ela – numa perspectiva menos paranóica, a simples venda de cursos já prontos e acabados.
Additio App Gradebook for teachers (Espanha) é multiplataforma, multilingue (tem português um bocadinho macarrónico) e publicita as suas preocupações com a privacidade e segurança dentro das leis. Graficamente é limpa e modernaça, o funcionamento interno claro com as opções evidentes. Permite exportar toda a informação em XLSX e CSV. Deixa ao usuário a liberdade de não pertencer a grupos. Pode ser experimentada por 30 dias, a maior diferença entre a versão ‘essential’ (€3,99 ano) e ‘plus’ (€ 7,99 ano) é que a primeira não admite adicionar ficheiros nem eventos.
Planboard Lesson planning made easy da Chalk.com (Canadá) também é multiplataforma, verdadeiramente grátis, mas apenas em inglês. Informa que «usa segurança ao nível bancário e das melhores práticas da indústria». Tem mais opções – como a possibilidade de adicionar metas curriculares a cada disciplina, a cada lição, e transportar internamente (migrar) a informação de um ano lectivo para o seguinte. Podem imprimir-se todas as secções, aceita que se importem documentos, mas não explica como se podem descarregar/arquivar noutro sítio.
No Easy Planner (Australia), multilingue (com português) a versão on-line PC/iPad é grátis para sempre, mas só permite gerir 3 classes, sincroniza com Android e iOS. Deixa importar ficheiros do Google Drive  e Dropbox, mas não explica como exportar. A versão ‘premium’ ($ 9,99 ano) consente a colaboração com colegas, ligação a Android, número ilimitado de aulas e actualizações. O ‘interface’ é menos interessante, e socorre-se das opções do Windows 10.
Entre outras hipóteses experimentáveis há o Daybook Pro (Australia) grátis por 30 dias ($10,00 anual) a funcionar com 2G de ‘cloud’. Oferecem vídeos a explicar todas as funções; o ‘interface’ é ‘touch’ (permite criar botões/blocos) e esteticamente muito agradável. A dúvida é que parece trabalhar exclusivamente com a própria ‘cloud‘ o que quer dizer que não diz como podem os materiais ser salvos/arquivados fora (não imprime, não descarrega a documentação para o nosso computador ou outro sítio). Se se desistir, prometem que guardam a informação durante 12 meses.
Entre as Apps grátis, leves e interessantes há a ClassesLite multilingue, só para iPhone/iPad como a Agenda book, esta para professores e alunos,  feita por alunos. Em inglês, faz sincronização com a ‘cloud’ própria.
A última novidade experimentável é o iStudiez Pro, multilingue, usado indiscriminadamente por alunos e professores – também Lite . Lançou agora uma versão para o Windows 10 (€ 9,20) e sincroniza entre todos os aparelhos/sistemas. Em paralelo redesenhou-se no iTeachersBook (a $4,90 sem deixar fazer experiências e com comentários pouco favoráveis).
Moral da história – quando escolher um programa veja primeiro como funcionam os sistemas de ‘backup´ e se têm opções para se recuperar a informação lá introduzida. Depois há sempre a hipótese de regressar ao passado.
Entre os programas-‘software’ “à antiga”, para descarregar e usar no computador, resistiram poucos.
School Calendar V.4.2 ainda existe em três modelos – escola, grupos e individual. No último apresenta-se para alunos e professores, e exige alguma paciência para re-entenderem as diversas utilidades. Instala e funciona no Windows 10 (mesmo na versão aniversário), sincroniza dados entre calendários do Outlook, Mac (iCal) e Android; importa e exporta-se em .xls, .txt, .html, .xml, .pdf, aceita guardar documentos referentes a cada uma das aulas/semestres. É mesmo grátis para experimentar com todas as funções activas durante um mês. A licença vitalícia custa $49,95. Graficamente é uma ‘trip’ pelos anos 90.SchoolCalendar

School Calendar V.4.2

Planbook considera-se o grande concorrente do anterior. Originalmente para Windows, modernizou-se (2012) estando também disponível para Mac e versão ‘touch’ para iPad. O teste (grátis) limita a entrada a 15 lições, e se necessário transfere os dados para a paga ($30,00 licença vitalícia).
Ainda para PC e apenas para Windows sobreviveu Study Minder (2011), mais dirigido a alunos que professores. Deixa exportar ou imprimir a informação, traz um pacote para criar Flash Cards (ambos em saldos por $19,95). Pode igualmente ser experimentado por 30 dias – diz que há a versão Lite (mas já sem link para instalar).
Pela minha parte sou adepta da ‘clean desk policy’ e da ‘paperless class’ (traduzindo, secretárias e aulas sem tralha nem papéis). Aliás, mesmo sem bola de cristal, as ‘Apps’ continuarão a invadir este nosso mundo, e muitas escolas possuem já as suas, individualizadas. Mais do que uma dificuldade de adaptação ao uso destes novos meios de trabalho, ou o deslumbramento, há o esforço secreto e enorme de converter os materiais existentes do papel para o virtual e o ‘on-line’ sem a garantia de se saber o que realmente lhes acontece.

4 thoughts on “App’s para a rentrée

  1. Olá Helena . Eu uso há anos o Teacher’s Attaché-Conheces?
    Joana Rabinovitch

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