(na gaveta), poesia

A queda de Roma

Wystan Hugh Auden (1907-1973)
W. H. Auden

 

 

 

 

 

 

A queda de Roma

Os pilares são martelados pelas ondas;
Num campo isolado a chuva
Chicoteia um comboio abandonado;
Malfeitores enchem as cavernas da montanha.

Fantásticos avultam os trajos da noite;
Agentes do Fisco perseguem
fugitivos evasores fiscais através
dos esgotos das cidades de província.

Privados ritos de magia põem
As prostitutas do templo a dormir;
Todos os literatos mantêm
Um amigo imaginário.

O cerebrotónico Catão pode
Exaltar as antigas disciplinas,
Mas os fuzileiros musculados
Amotinam-se por comida e soldo.

A cama de casal de César está quente
Enquanto um funcionário menor
Escreve EU NÃO GOSTO DO MEU TRABALHO
Num documento oficial cor-de-rosa.

Desprovidos de riqueza ou piedade,
Passarinhos, de pernas escarlate,
Chocam os seus ovos pintalgados
Olhando as cidades infectadas com gripe.

Todas juntas noutro lado qualquer, grandes
Manadas de renas movem-se através
de milhas e milhas de musgo dourado,
Silenciosamente e muito rápidas.

[Trad. H. Barbas 4.Jun.2011]

Original – e leitura do poema em inglês pelo poeta.

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